sábado, 19 de junho de 2010

Penny Lane



Penny Lane é uma avenida e também um bairro em Liverpool. Quando estive lá era como se eu estivesse na minha Avenida Independência ou na Lauro Linhares, só que no universo paralelo dos ingleses. No final dela há um entroncamento onde se vê um terminal de ônibus. Tudo muito normal e pacato. E ao mesmo tempo mágico.
As pessoas daquela cidade me pareceram muito mais receptivas e vivas do que os londrinos. A maioria dos liverpudlianos estavam super dispostos a conversar - e não apenas a informar polidamente a quantas quadras ficava determinada estação de metrô ou parada de ônibus.
O dono do albergue em que fiquei tinha a mesma idade dos Beatles e havia convivido com eles todos. Não gostava do John Lennon pois este lhe parecia extremamente agressivo e desagradável. Típico arruaceiro líder de gangue ao seu ver. Chegou a me contar com detalhes o dia em que o viu em confronto com outra gangue do bairro. Elogiou Paul McCartney e disse que a sua música dele predileta era No more lonely nights. Mas, com certeza,  nenhum Beatle se comparava ao seu cantor favorito: Willie Nelson. A casa era repleta de fotos e souvenires do artista country americano.
Tive ótimas conversas com aquela gente calorosa, simples e interessante. Além disso, a luz inédita daquele verão setentrional em alta latitude me deixava com os sentidos e o ânimo aguçados. Os dias inteiros tinham então a claridade lusco-fusco de um final de tarde prolongado.

futebol de verdade (2)



Brasil e Argentina pela Copa América de 89. Dunga como jogador podia não ser um Falcão ou um Paulo Isidoro, mas pelo menos era muito melhor do que os Felipe Melo e Gilberto Silva da vida. Seja como for, tremo só de ver os atacantes que nós tínhamos em comparação com a triste safra contemporânea. Brasil, mostra a tua cara!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

futebol de verdade



Primeira partida da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982. Contra a União Soviética. Futebol bem jogado, com categoria e inteligente.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ensaio - Ivan Lins (74)



Infelizmente, por enquanto só alguns techos disponíveis no youtube...

domingo, 13 de junho de 2010

a felicidade



Show da Gal Costa hoje à noite em Florianópolis. Ela e o violão múltiplo do Luiz Meira. Voz intacta e grande presença e simpatia com o público. Nunca tinha visto a Maria da Graça tão disposta a conversar. Falou da musicalidade portuguesa que de alguma forma  vincula os sotaques da Bahia e da Ilha de Santa Catarina. Achava a baiana um tanto blasé nas entrevistas e depoimentos que assisti pela vida afora. Ao vivo foi bem melhor. Nada de estrelismos e frieza protocolar. Programa de gala, sem dúvida. Viva a Gal!

domingo, 6 de junho de 2010

Sarah Miles



Sarah Miles em A fiha de Ryan (Ryan's Daughter) de David Lean (1970). Bela trilha de Maurice Jarre.

Elevado 3.5 (II)



Mais cenas do filme, sob a trilha sonora de Eduardo Nazarian e Guilherme Garbato.

Cidadão Boilesen



Outro trailer de um filme que quero assistir: Cidadão Boilesen. Ganhou o Tudo é Verdade de 2008. Trata do envolvimento da sociedade civil com o aparato de repressão e terror do regime militar brasileiro.

sábado, 5 de junho de 2010

Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague





Chamadas do documentário que eu quero assistir (a de cima, em português, a de baixo, legendada em inglês). A história da relação criativa e tumultuosa desses dois me interessa bastante. Tempos de ousadia e invenção.

Elevado 3.5



Acabou de estrear o documentário sobre o famigerado e controverso viaduto Minhocão, elevado de 3,5 quilômetros que conecta o Centro de São Paulo à Barra Funda. O filme já é um pouco antigo, tendo sido o vencedor do festival É Tudo Verdade de 2007.  Decerto, conseguiu chegar no circuito comercial de cinema em função da polêmica atual envolvendo a possibilidade de demolição deste monumento monstruoso à urbanidade caótica e hostil. Porém, pelo que pude ver nas resenhas de jornal, o filme retrata justamente o contrário do que se poderia esperar sobre uma obra como esta. É a partir do humano que brota e vive ao redor e em função do Minhocão que os diretores desdobram o fio narrativo do Elevado 3.5.
Direção: João Sodré, Maíra Buhler e Paulo Pastorelo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Milton



Primeira parte do programa Som Brasil com Milton Nascimento (2007).

domingo, 30 de maio de 2010

Dennis Hopper

Dennis Hopper partiu ontem e nos deixou toda a sua loucura e inventividade de ator e diretor. Desde a década de cinquenta até agora há pouco.  James Dean, Marlon Brando, Mickey Rourke, Jack Nicholson, Peter Fonda, Gene Hackman, Martin Sheen e muitos mais tiveram a honra de contracenar e/ou serem dirigidos por esta lenda do cinema que nos dá um até logo enquanto oferece a sua carreira e biografia bombástica pra gente se extasiar. Foi um ator e diretor talentosíssimo e problemático na mesma medida. Talvez ainda não tenha recebido o reconhecimento devido em função de uma personalidade fronteiriça entre aquilo que os defensores da suposta normalidade chamam de loucura e lucidez. Marlon Brando (outro louquíssimo) se recusou a dividir o mesmo set com ele durante as gravações de Apocalypse Now... Grande artista!
Então vamos de Sem Destino (Easy Rider), clássico fortíssimo que ele dirigiu e atuou ao lado de Peter Fonda e Jack Nicholson.



Bahia de todos os sambas

Trecho do filme Bahia de todos os sambas (83), feito por Paulo César Saraceni e Leon Hirzman, a partir de um festival de música brasileira na Piazza Navona (Roma) com João Gilberto, Dorival e Nana Caymmi, Caetano, Gil, Gal, Bethânia, Tom Zé e muitos mais... Aqui, vamos de João Gilberto tocando "Louco" de Wilson Batista. Pena que o filme não está completo no youtube... Na noite de natal de 2005, em Nova Petrópolis (RS), vimos ele inteiro pela TV Bandeirantes, enquanto tomávamos vinho. Nossos artistas, então, nos pareciam todos em plena forma, jovens e orgulhosos.

sábado, 29 de maio de 2010

General Newton Cruz

Outro depoimento de um dos protagonistas do regime ditatorial brasileiro: General Newton Cruz, chefe do SNI, em Brasília, entre 1977 e 83. Aqui, a primeira parte da entrevista.

terça-feira, 25 de maio de 2010

General Leônidas



Primeira parte desta  recente entrevista com Leônidas Pires Gonçalves, chefe do DOI-Codi entre 1974 e 1977. Além disso, foi o Ministro do Exército durante todo o Governo Sarney...

domingo, 23 de maio de 2010

Impasses do cinema brasileiro

Texto extraído do blog de Luiz Zanin, crítico cultural e de cinema do Estado de São Paulo. Contextualização clara e incisiva do estado atual do cinema brasileiro. Além disso, também propõe uma autoavaliação muito interessante e amarga a respeito da perda de relevância da crítica cinematográfica enquanto instrumento de divulgação e formação de opinião pública. Sua proposta, porém, ao invés de sucumbir diante das eternas e crescentes dificuldades de se fazer ouvir, é gerar movimento:

"No começo dos anos 1990 o cinema brasileiro estava entregue a si mesmo. Com o desmanche da era Collor, foi jogado à arena do mercado e por pouco não sucumbiu. A mensagem do então presidente e seu escudeiro Ipojuca Pontes era clara. Se o cinema nacional for importante para o povo brasileiro, este virá em seu socorro na única esfera reconhecida pela doutrina neoliberal – o mercado. Ninguém fez um gesto; ninguém deu um pio.

Foi preciso que Collor caísse para que se tornasse viável uma série de medidas de incentivo conhecidas sob o rótulo geral de “retomada do cinema brasileiro”. Essa fórmula, de tom salvacionista, se compunha de incentivos pontuais, como os concursos “de resgate”, e medidas institucionais, sob a égide das leis de incentivo.

Vinte anos depois, o panorama parece muito diferente, por um lado, e muito parecido, por outro. Se naquela época, antes do socorro, o Brasil limitou-se a produzir apenas dois ou três títulos por ano, hoje chega a 80, 90, tendendo aos cem. Naquele tempo, o público era quase nulo. Hoje mantém média de uns 10% do mercado anual. Não avança e nem recua, fora um ano excepcional (2003) quando bateu nos 23%. Exibe uma razoável diversidade de títulos, comédias e obras intimistas, muitos documentários, um ou outro filme de apelo popular e alguns de alto significado artístico. Os festivais de cinema, que se podiam contar nos dedos da mão no começo dos anos 1990, hoje passam de 200. Há mais salas de exibição, mais movimento econômico nos laboratórios e nos escritórios de organizadores de eventos. Enfim, a atividade, se não floresceu de maneira espetacular, pelo menos parece muito mais saudável do que naqueles anos de triste memória.

E, no entanto, podemos imaginar: e se chegasse hoje ao poder um novo Collor, conseguisse revogar as leis de incentivo e jogasse de novo o cinema no circo romano das forças de mercado, o que aconteceria? Teríamos um grande movimento em defesa do nosso cinema? O golpe geraria editorais indignados na imprensa, haveria passeatas, artigos de especialistas, choro e ranger de dentes? Duvido. Fora nós, que sempre estivemos convencidos da necessidade da existência de um cinema brasileiro, quem viria em socorro dele? Suspeito que ninguém.

A constatação é dura, mas tem de ser feita: depois de 20 anos, o cinema brasileiro ainda é incapaz de mostrar ao seu público potencial que ele é indispensável, item fundamental da nossa cultura, o nosso espelho, a maneira como enxergamos a nós mesmos, etc. Tudo isso que nós (e apenas nós) vivemos dizendo e repetindo, convencendo a nós mesmos (ou seja, aos já convertidos) da veracidade das nossas razões, mas a mais ninguém.

Não que essas afirmativas não sejam pertinentes, ou pelo menos muito razoáveis. Os que sabemos da importância política (sim, política) da sobrevivência dos cinemas nacionais, bem entendemos a necessidade de protegê-lo da concorrência predatória. Certo. Mas, e quanto ao público em geral? Será que ele está muito preocupado com isso?

Vejo motivos para inquietação. Primeiro, porque o cinema brasileiro não conseguiu pôr um ponto final numa situação emergencial (a tal da “retomada”) e dar um passo adiante, rumo a uma política cultural digna desse nome. O exemplo foi o abortado debate pela Ancinav, que terminou em recueta vergonhosa, sem que sequer as ideias fossem colocadas em pauta e discutidas, antes de serem descartadas. Tende-se então a eternizar uma situação provisória e torná-la definitiva, com todos os seus óbvios inconvenientes (diretores de marketing das empresas dando pitacos nos projetos parece o menor entre eles).

Mas o fato principal é que a relação com o distinto público continua complicada. Este costuma prestigiar de preferência produtos que poderia perfeitamente estar vendo na TV. São os mesmos atores, as mesmas atrizes, as mesmas histórias, a mesma estética, tudo igual. Mais do mesmo transposto da tela pequena para a tela grande.

Já quem destoa dessa mesmice parece se conformar com fatias mínimas de público, ou com o sucesso enganoso nos festivais, que funcionam da mesma forma que tapinhas nas costas dados por amigos fiéis. Quem freqüenta festivais sabe que filmes ovacionados, aplaudidos em pé e levados aos cornos da Lua pela crítica costumam decepcionar quando expostos ao público “normal” no circuito convencional de cinema. Isso quando chegam lá.

A mesquinhez da mentalidade vigente nesse circuito comercial justifica em parte essa dificuldade de contato com o público. Mas não explica tudo. Talvez fosse útil substituir a choradeira pela consciência de que essas dificuldades podem ser sinais de alerta a produtores e cineastas de que, talvez, eles não estejam conseguindo encontrar uma brecha na atenção do público. Na voragem de lançamentos característica do hipercapitalismo, não encontram um diferencial que faça dos seus filmes algo premente, indispensável e merecedor de atenção. Pode ser (é uma hipótese) que não estejam captando o espírito do tempo e suas necessidades. Não entram em sintonia com as aspirações do público.

Assim como os documentários, tão badalados por seus inegáveis méritos, mas que enfrentam dificuldades em se desvencilhar de fórmulas batidas, do culto aos personagens, das entrevistas, dos tipos humanos mais ou menos curiosos, da excelência da música, etc. Vivem também da constatação dos problemas sociais, sem enfrentar os dados estruturais que estão na origem dessas questões. Comentando os filmes de Fernando Solanas, que têm muitos problemas, são discursivos, etc, Jean-Claude Bernardet diz que, pelo menos, eles tinham a ambição de afrontar a estrutura do capitalismo, do mercado financeiro e do sistema industrial e político, ligando-os às contingências da história argentina. Aqui, nem se pensa nisso.

Claro que os que escrevemos sobre cinema somos parte do problema. Nunca antes nesse país houve tantos críticos de cinema, nem sua ressonância social foi tão pífia. Do exercício de uma cinefilia solipsista em seu esplêndido isolamento ao conformismo da função de indicadores de bons programas para a classe média, temos falhado em compreender os filmes em seu conjunto e relacioná-los a determinadas circunstâncias históricas. Esterilizados pelo pedantismo pseudo-universitário ou pela superficialidade de fornecedores de dicas de consumo, não temos desempenhado a função de provocar o debate cultural sobre as obras e, portanto, torná-las mais presentes e atuantes no imaginário social. Condenamo-nos à irrelevância.

Isso posto, pode-se concordar que a situação atual é muito preferível à do início dos anos 1990. Caminhamos. Mas também é óbvio que, em 20 anos, deveríamos ter avançado muito mais.

A modéstia das nossas ambições deve ser tema para debate".

(Originalmente publicado na Revista de Cinema, maio de 2010)



sexta-feira, 21 de maio de 2010

Di



Primeira parte do curta cujas imagens foram feitas ao longo do velório (MAM do Rio de Janeiro) e enterro (São João Batista) de Di Cavalcanti (1976).
Direção de Glauber Rocha e fotografia de Mario Carneiro, o qual, antes de ser cineasta, foi sempre um artista plástico. Para ele, o cinema era "um mural em movimento, à maneira de Rembrandt".

quinta-feira, 20 de maio de 2010

comercial clássico



Em 1984, no intervalo dos desenhos, programas de televisão e novelas que eu assistia, gostava muito de ver este comercial criado por Duda Mendonça, o mesmo que depois viria a ser o marqueteiro do mensalão. Mas isso é outra história...

Rio 77/78


`
Não tinha conhecimento deste documentário a respeito do ambiente psicológico e cultural do Rio de Janeiro no biênio 77/78. Gostei bastante do "teaser". Me deu  vontade de assisti-lo do início ao fim.

Argumento: Mauricio Branco
Direção: Patricia Faloppa & Mauricio Branco

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bandeira



Outro dos curta-metragens dirigidos por Fernando Sabino e David Neves. Agora, o protagonista é o Bandeira.